Porto Alegre, 7

Todos os dias
aconteces cedo,
quando a primeira luz
ainda não ligou
teu autorama atropelado
que as sirenes da noite
por alguma razão
que eu não entendo
em algum a hora da noite
silenciaram.

Esse despertador que ofereces,
este sabiá desorientado,
acorda também
certo rumor intestino teu.
Ele me alcança os ouvidos
com sotaques que não manténs
e do eco desses
animais alucinantes
e de gente que também
é fantástica demais
para que pareçam reais
(mesmo à memória,
que aceita tudo)
e assim me sobrescreves
todos os dias.

Um dia desses
precisamos entrar
em acordo com isso
e justamente,
mas então como ficariam
as coisas que não se acomodaram
perfeitamente em ti?
E como é que ficariam
aqueles que te armazenaram
como o cenário de vidas
delicadamente pouco importantes?
Tu não farias nada?

Quanto agressiva tu sabes ser, cidade
nada imperfeita e nem torta
e que, sobe lomba e desce lomba,
esconde-se num espelho brônzeo
e se magnetiza?

Mas ao menos uma coisa é certa:
tu és imparcialmente boa e ruim
e, às vezes, podemos imaginar
a vida noutro lugar
enquanto fertilizas
em nós coisas estranhas como
músicas, filmes, saudades, poemas…

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