La Minuana – (tetralogia do Paraguai – III)

Rente a um cerro que quase se encosta numa das orillas do Rio Negro, do lado uruguaio, hay uma pequena pulperia que brasileños e orientales às vezes frequentam em sus viagens tras los cueros. Aos viajantes, a pulpera, conhecida como La Puma, sempre tem a oferecer pescados frescos. São as traíras mais suculentas que há em léguas e ela serve os trozos do peixe meticulosamente apartados da coluna farta de espinhos. Frita-os constantemente em um grande tacho de ferro que mantém no seu fogão de tijolos com grasita de capinchos. Quem viaja por ali e conhece aquelas bandas, sabe bem que o perfume sentido ao longe, nas coxilhas, é de sua proveniência.

Mas os viajantes que vão dar em La Puma não são apenas os famintos e loucos de sede, embora estes sejam sua maioria. Hay tambien los enfermos de la guerra, soldados o no, igual que yo, que buscan salvar su vida com a ajuda de uma de suas filhas, una hechicera que vive sola nun ranchito más detrás de la pulperia e ali prepara suas soluções, yuyos, preparos e hechizos.

Ao contrário de Teófila, sua filha mais velha, a feiticeira não tem nome. Chamam-na apenas de Minuana e todos que a veem de longe falando sozinha entre os arboles, ou ralhando com uma familia de zorros que mora em sua companhia, apenas procuram-na em caso de risco fatal. Foi em busca dela e não dos fritados da mãe que busquei encontrar naquelas paragens a fim de que me removesse das visceras o pavor da morte y tambien de matarme. Pavor das que causei na campanha do Paraguai e da minha própria, después asombrada por aquellos fantasmas.

Llegué a la noche e La Puma luego me quitó las esperanzas. A filha fuera picada por uma boboka, uma cobra coral, ou deixara-se picar, ela não sabia, e ardia em febre há dias, incapaz de ajudar a quem quer que fosse e, pior, a si misma. Morria a feiticeira e La Puma permitiu que rezasse por ela, perguntando-me: “¿No es cristiano? Entonces… Guarda la pobrecita…”

Dentro do casebre, sentei-me quase ao seu lado, perto a um braseiro que aquecia seu rancho desde dentro, e contemplei sua feição suavizando-se um tanto com a nossa chegada. Quando me encontrava quase no meio do padre-nosso, ela ergueu a mão e, de olhos cerrados, procurou meu rosto detrás da barba crescida de dias e das melenas de meses… Sua mãe tinhas as mãos espremidas e Teófila, a filha mais velha, nos observava do porta do rancho com uma expressão muy desconfiada.

“Abençoa a minha santinha, cristiano, pa’que ela se encontre ao teu Diós…”, implorou e eu continuei a prece iniciada. Ao fim do amém, a jovem de tez cobreada e cabelos longos abriu seus olhos e, por experiência pregressa, vi que não corria risco de vida. Em seus olhos não havia o tom empañado das finaditas, mas até me parecia uma certa satisfação ou o olhar de quem confirmava alguma coisa. Mas… o quê?

“Es un milagro!”, dizia La Puma e Teófila se ajoelhava aos pés da irmã como se rendesse homenagem a uma divindade que eu não conhecia nem via nem entendia…

“Espera, hijo mio, não sai daqui. Reza otra vez… Pra garantir…”, implorou-me a a mulher como se eu – e não a filha – tivesse poderes de salvação…

“E Teófila, aquenta água pro nosso visitante!”, ordenou a mais velha das irmãs. A filha se foi porta afora e voltou com os apetrechos do mate. Depois foi-se novamente e levou consigo La Puma.

Bueno… Não mentiria se dissesse que a imagem toda me agradava. Andava comendo e bebendo male male. A ideia me parecia esplêndida e a Minuana, não sei explicar, ela tinha uma beleza atroz que parecia me impedir de arredar pé do seu lado. Simplesmente não podia. E quando ela conseguiu recostar-se melhor para tomar um tanto de água, olhou-me como se me conhecesse há muito e disse-me com uma voz sibilante: “Entonces me achaste, patricio… Yo te velava a tanto tiempo…”

No sé que artes ela tinha, apenas conhecia sua fama, mas um hechizo já estava em curso, sin duda. Entonces ela pegou minha mão, fez com que largasse a cuia de mate, e me deixei guiar por baixo do poncho de tecido que a cobria. Não demorei a encontrar o que seria o ferimento da cobra em carne viva, pulsátil, e com sutilezas imperceptibles ella fez com que mergulhasse no que parecia ser o próprio líquido e sinuoso Rio Negro.

Después, no sé quanto fiquei ali. Adormeci e quando acordei-me a Minuana estava sentada ao lado do fogãozinho, preparando algo. Parecia ser um refogado não sei de quê y que perfumava o lugarzinho como se de yerbas verdes, tecidos limpios o madressilvas. Não sei em que momento sua mãe e irmã volvieron, pero luego estávamos os quatro bebendo o cozido em tijelitas de barro. A expressão dolorida do dia anterior dera lugar a sorrisos amenos, mas que continuavam silenciosos. Parecia uma celebração e ninguém se atrevia a dizer nada, até que La Puma dijo em voz trêmula: “La adivinación está cumprida, minha filha… El llegó cuando morrias. Es tu esposo, con la graça de Diós o, que sea, de anhá..”

La Puma levantou-se e desenrolou um presente que havia me trazido: uma pele de cervo prateada e amarrou-a em torno do meu pescoço com um tira de couro. A Minuana tinha uma igual, apenas um pouco mais curta. Por la ventana, vi que el pequeno pueblito que havia en redor da pulperia parecia prestes a abandonar o lugar. La Minuana precipitou-se a falar com seus parentes e me encarou como se indagasse se a seguiria. De imediato pensei que mortes mais encontraria ao lado daquela gente e estremeci. Pero se acaso la muerte me chegasse, ela me salvaria y cierto que yo a ella. Nos fuimos.

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