Não há profundidade

Hannah Arendt (1906-1975)
trad. do espanhol/alemão

Não há profundidade
onde a clareza não brilha e
nem silêncio
onde o som não ressoa.
Desperta o silêncio –
mesmo que permaneça dormindo! – .
Ilumina a escuridão
que nos criou.

Não há trevas que a luz não vença,
nem silêncio que não se entoe.
Mas essa calma
que repousa no incerto
silenciosamente nos obscurece
como um epílogo.


Entre os anúncios editoriais malfadados de 2020, a tradução dos poemas que Hannah Arendt escreveu entre 1923 e 1961 e que estaria sendo preparada para este ano, no Brasil, não deve mais vir. E não veio ainda hoje, em 2022. Entre tantos outros. Como não leio em alemão, mas me dou bem com o espanhol, encontrei em uma editora de Barcelona (Herder) uma coleção de seus poemas. Deste livro, conheci melhor um pouco seus poemas muito amorosos e outros que certamente refletem o espírito do seu tempo e deixam ver um tanto da sua filosofia também. A maioria destes poemas do livro trata de um tempo obscuro e da busca pela lucidez (claro, trata-se de Hannah Arendt), mas ela sempre mantém, mesmo nestes poemas mais reflexivos, um tom de esperança viva muito forte, o que me fez tentar traduzir especialmente esse, para esse dia de hoje. Tem uma mudança bem radical num termo que ela (ou o tradutor para o espanhol) usou, mas achei que ficaria mais compreensível no português. A tradução para o espanhol foi realizada por Alberto Ciria.

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