Marítima, 2

O dia inteiro esticando a corda.
Todo o santo dia puxando o barco.
Um dia ele desencalha, eu sei,
do fundo do desfiladeiro
onde eu mesmo o enfiei.

2

De domingo a domingo
subo a escada fraca.
Busco ar no parapeito.
O peso é demasiado,
e eu aguento.

3

Às vezes, a tarde é triste.
Um banjo gigante.
E posso senti-lo vibrar
todo estourado.
Cordas por esticar.

4

Se não, destruo paisagens.
O boi que por nada enlouqueceu.
Partes quebradas de ave.
O aquário que é um esqueleto.
E a água toda vazou.

5

A corda puxa tanto
e não raro parece infinita.
Para o que serve puxar,
eu me pergunto,
mas azar… E mais ela desliza.

6

O sal marinho?
Um tanto resta na mão.
Mas desadoçam meu lábio
as ausências. O dia
dá de morrer também.

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