Não fazem três semanas ainda, mas logo depois que concluímos a última revisão do texto de “La Minuana”, o Thomaz (meu editor e amigo pessoal) me pediu para que eu escrevesse uma sinopse da novela. Ele precisava para montar um informativo da editora e pensou que ninguém melhor que o autor saberia dizer do se tratava, afinal, o livro que partia para a gráfica.
Não consegui. Precisei de uns dias para conseguir redigir um mero parágrafo.
Olhava o texto, o prólogo, as referências, notas e a pesquisa iconográfica que havia feito e me parecia bastante coisa, mas, ao mesmo tempo, ainda insuficiente…
Parecia que eu recém havia tocado a borda de um universo e me apressava a participar de um mundo do qual já não havia testemunhos, apenas resíduos e fragmentos mal historiografados e se eu não fosse cuidadoso o suficiente sentia que veria espatifar-se tudo aquilo nas minhas mãos. E assim evaporaria do nada, como fumaça, essa lenda, conto, novela que ganhou vida em mim para que a contasse. Para que tentasse contar com o máximo respeito possível essa história trágica e delicada que é a dos povos originários do sul, do qual, a despeito de tudo, se conhece ainda tão pouco.
Do que trata, afinal, “La Minuana”? Há uma personagem, uma feiticeira minuana, e há um personagem, um desertor das inumeráveis guerras que assolaram o sul do continente nos sécs. XVIII e XIX. Mas isso apenas não diz do que trata o livro. É preciso tomar dessa linguagem dúbia e partir em marcha, mesmo que a viagem seja apenas fuga e evasão.. Acompanhar-se do destino violento de um povo que, a despeito disso, é nosso, nos constitui de muitas maneiras e influencia, penso eu que sim..
Os últimos exemplares de “La Minuana” podem ser encontrados na em algumas livrarias de Porto Alegre ou via Estante Virtual.