O novo ano trouxe velhas penitências
bem embrulhadas, como presentes
preparados há tempos, de um antigo banquete.
Há tempos ouvindo a mesma coisa,
tomo cuidado com o que posso escutar.
Não são tantas lascas nas pedras, mas há.
É raro quando o comum se revela estranho.
É uma tempestade que permanece em segredo –
e o que existe se reveste de ausências.
Aperto os joelhos entre os braços, gasto
tempo demais com máquinas quebradas
e coisas arruinadas que nem valem nada.
Os olhos eu abro porque vai começar a chover.
Tudo era tão limpo.. E, o frio, glacial.
O relógio é que parece cada vez mais cedo…
Desse modo qualquer um pode vir a morrer:
não há o sustento do sol e a noite vindoura
ainda dorme, malgrado lhe envie o bilhete.