Poesia O bilhete

O bilhete

O novo ano trouxe velhas penitências
bem embrulhadas, como presentes
preparados há tempos, de um antigo banquete.

Há tempos ouvindo a mesma coisa,
tomo cuidado com o que posso escutar.
Não são tantas lascas nas pedras, mas há.

É raro quando o comum se revela estranho.
É uma tempestade que permanece em segredo –
e o que existe se reveste de ausências.

Aperto os joelhos entre os braços, gasto
tempo demais com máquinas quebradas
e coisas arruinadas que nem valem nada.

Os olhos eu abro porque vai começar a chover.
Tudo parece tão limpo.. E, o frio, glacial.
O relógio é que bate cada vez mais cedo…

Desse modo qualquer um pode vir a morrer:
não há o sustento do sol e a noite vindoura
ainda dorme, malgrado lhe envie o bilhete.

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Tudo pode inclinar-me
W. B. Yeats
(13/06/1865 – 28/01/1939)

Tudo pode inclinar-me a que me afaste deste ofício do verso:
Antes já havia sido o rosto de uma mulher, ou pior —
As fúteis exigências do meu país regido por tolos;
Agora nada de melhor vem à minha mão
Do que este trabalho habitual. Quando eu era mais jovem,
Não daria um centavo por uma canção
Que o poeta não cantasse de modo
Que parecesse ter uma espada a postos nos seus aposentos;
Mas hoje seria, cumprido o que desejo,
Algo mais gelado e incomunicável que um peixe.