Wildcat

Ontem assisti a Wildcat, o documentário que eu havia comentado no outro dia, a respeito da sua trilha sonora. Assisti com um nó na garganta porque filmes, livros ou músicas sobre adolescentes “problemáticos” não me causam outra reação.

Mas eu esperava que no filme o “problemático” fosse apenas Harry, o ex soldado britânico que retorna do Afeganistão com sequelas mentais graves, entre as quais a síndrome de stress pós-traumático e uma depressão profunda, com tentativas de suicídio. Porém a pesquisadora que ele encontra na profunda Amazônia peruana, Samantha, não é menos traumatizada. Ela, no caso, pelo convívio com um pai alcoolista e violento que a fez desde criança preferir o convívio com os animais aos adultos humanoides.

Pode parecer uma estranheza – ou não – encontrar dois adolescentes abdicando da vida social no que é o momento de seu apogeu para viver em um território inóspito e com vida selvagem real, cercados de feras e criaturas humanas mais ameaçadoras que as próprias feras, e que partilham do mesmo território apenas para conquistá-lo e depredá-lo.

Na prática, o filme aborda um processo de reabilitação dos mais complicados. Ao mesmo tempo, Harry trabalha na readaptação à vida selvagem de uma jaguatirica e na sua própria reabilitação emocional. Como num documentário não cabem escapismos à fantasia, o que se pode ver é que o processo está longe de ser uma jornada de superação. Muito mais se vê da tensão absurda que a depressão deita às costas e reserva à mente de um jovem com vinte anos de idade.

Depois de assisti-lo, não me espanta saber a reação emocional que sua exibição tem causado mundo afora. Ao unir dois universos sensíveis, adolescência e relação homem x natureza, sabe-se como a jaguatirica se reintegra ao mundo da floresta, mas permanece a dúvida quanto a adaptação do ser humano. Àqueles que pensam que viver entre feras é experiência terrível, o filme é instrutivo do quão desestruturante pode ser a vida entre os homens.

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