Desconsolado

No peito um coração desengrenado
badala erroneamente cada instante
e espaços desocupam-se pela vida.

Nesta moldura, o tempo se estreita,
nenhum encanto dura, e o espanto
de uma estação a outra é esquecido.

Há névoa nas palavras? Limpe-as…
Pureza em demasia? Não será em vão?
E se for apenas o som? Silêncio…

Esta canção de pássaro, estranho
aviso insolente deformando o vento,
nela é que tudo se transporta.

A paisagem é de uma sorte aleatória.
O destino? Vive também em seu peito,
numa árvore que pode ser esbulhada.

O desapego despega-se, reapega-se
e imagens novas rasuram-se aos olhos
fazendo como faz um sol encoberto:

o que ali está, está além do alcance
de todos. Uma sabedoria indisponível,
um desconsolo tão grande, o de um poeta.

Deixe um comentário