Poesia No portal Cronópios

No portal Cronópios

Pela segunda vez, com poemas para a infância, no portal Cronópios.

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LaurelLaurel

Feliz, a primavera
sobrevive sem flores
de empréstimo.

E aqui se daria
o nascituro da tarde —
num indefinido meio-dia.

O pássaro (sem ventura)
trafega o espaço, mas
doutra estrutura.

Os olhos não alcançam
o que se ergue
como fortuita quimera.

Numa única paleta de cores,
o mesmo dia renasce
uma centena de vezes.

O azul não continua azul.
O céu migra de lugar.
A sombra não atenua.

Luz rosácea que restou,
do caule seco da flor
a folha comparece

e empresta os braços ao sol
como uma reserva disforme
da flor imerecida.

Já pensou, se ouvida,
o que ela diria? Nada..
Isso foi toda a vida.

Gostaria que o meu amor morresseGostaria que o meu amor morresse

Jennifer Franklin
trad. do inglês

___________a partir de Beckett

Gostaria que o meu amor morresse
Ou pelo menos que eu não a amasse

Tanto. Se eu pudesse inclinar meu coração
Para o inverno, eu não precisaria da rotação

da terra para isso. Se você não sorrisse
Ao dormir, ou não tocasse meu rosto

Com ternura, eu poderia ter ido embora
Desde quando você partiu através

Das portas do meu coração camuflado
Sem olhar para trás. Eu gostaria de não amá-la

Tanto. Gostaria que o meu amor morresse
E então eu não teria que matar tudo o que há

Em torno de mim. Então eu não teria de ser
A caçadora que me tornei. Mas você

Não vai me liberar do seu abraço poderoso.
Você me faz permanecer a seu lado com o seu

Braço delicado em meu pescoço. Ele não parece
Forte nem para pegar um animalzinho, mas ele é.