Poesia No portal Cronópios

No portal Cronópios

No portal Cronópios, em agosto de 2012.

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Canto fúnebre sem músicaCanto fúnebre sem música

Edna St. Vincent Millay (1892-1950)
trad. do inglês

Não aceito que vão abaixo, à terra dura, os corações afáveis.
Eu sei que é assim, tem sido assim, desde sempre:
Vão-se de uma vez só sábios e amáveis. Coroados
Com louros e lírios, partem; mas não me peçam que aceite.

Amantes e pensadores, todos ao fundo da terra!
Unam-se ao indistinto, à poeira, ao pó.
Um trecho ou dois é o que resta
Do que sentiam, mas está perdido o melhor.

Os chistes, o olhar honesto, o riso, o amor,
Eles se foram. Para o alimento das rosas curvilíneas. Elegantes
São as flores. E perfumadas, eu sei. Mas não aprovo.
Mais preciosa era a luz em seus olhos do que todas as rosas do mundo.

E descem, descem, descem à escuridão da campa
E delicadamente vão. O belo, o bravo, os bons quase perfeitos.
Tranquilamente os engraçados e valorosos a morte encampa.
Eu sei. Mas eu não aprovo. Eu não aceito.

EncurraladosEncurralados

As ondas não estão no mar.
Onde estão as ondas?

O mar, essa gigante
desembaraçadamente nua,

engoliu o que havia,
e agora como alcanço dormir?

Por isso, agarro-me ao nada,
uma insuficiente artimanha

de que sabem os náufragos
que morrem de frio.

O tempo se vai acabando.
Onde está o tempo?

Voltará amanhã, depois
de partirmos?

Ao espelho, essa neblina
que nos divide a alma

em duas, tu quebrarias?
Mas já pensaste…

Se do outro lado
tu mesma estivesses?

Na imagem que enxergas
não estou eu, não

está ninguém. O tempo
nos esquecerá a ambos

na mesma solidão
em que nos amamos.