A poison tree

pois

William Blake
trad. do inglês

Uma árvore de veneno

Tenho raiva de meu amigo:
Já tive maiores comigo
E só por dizer-lhe, isso passou.
Mas, dessa vez, aumentou.

Para regá-la, usei dos temores
Diuturnos. De lágrimas e de horrores.
E a acordei com largos sorrisos,
todos nutridos em falsos juízos.

Ela cresceu volumosa,
Noite e dia, uma maçã brilhosa.
E ele, estando eu a colher,
Soube de quem ela deveria ser.

E meu inimigo, sem saber que o via,
Com sua cobiça a colhia.
De manhã, contente eu o vi
Jazendo a seu pé, como previ.

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John Cowan Hartford (1937–2001) foi um bandolinista, guitarrista acústico, violinista, banjoísta, dançarino, piloto de rebocador e barco fluvial a vapor, compositor e cantor folk e country americano conhecido por suas letras espirituosas, estilo vocal único e extenso conhecimento da tradição do rio Mississippi.

Num arranha-céu

Um dia desses, quando eu for um homem
E outros me ensinarem
Tudo o que eles puderem
Me venderão um terno
E cortarão meu cabelo
E me enviarão a trabalhar num arranha-céu

Isto significa dar adeus ao sol
E adeus ao orvalho
Adeus às flores
E adeus a você –
Eu estou indo para o metrô
Não devo me atrasar
E ir ao trabalho num destes arranha-céus

Mas quando eu me aposentar
E minha vida voltar a ser minha
E eu não dever mais nada a ninguém
Será hora de ir para casa
Eu me pergunto o que houve
Nem uma coisa e nem outra
Quando fui trabalhar nos arranha-céus

E é adeus ao sol
Adeus ao orvalho
Adeus às flores
E adeus a você
Eu estou indo para o metrô
Eu não devo me atrasar
Para estar no arranha-céu

In tall buildings

Someday, my baby, when I am a man
And others have taught me the best that they can
They’ll sell me a suit then cut off my hair
And send me to work in tall buildings

So it’s goodbye to the sunshine
Goodbye to the dew
Goodbye to the flowers
And goodbye to you
I’m off to the subway
I must not be late
I’m going to work in tall buildings

Oh when I retire
My life is my own
I made all the payments
It’s time to go home
And wonder what happened
Betwixt and between
When I went to work in tall buildings

So it’s goodbye to the sunshine
Goodbye to the dew
Goodbye to the flowers
And goodbye to you
I’m off to the subway
I must not be late
Going to work in tall buildings

So it’s goodbye to the sunshine
Goodbye to the dew
Goodbye to the flowers
And goodbye to you
I’m off to the subway
I must not be late
I’m going to work in tall buildings

CompadresCompadres

Seu Venâncio dos Angicos não era louco, mas um dia endoideceu.

Primeiro ele salgou os canteiros de folhosas. Depois, decepou um a um os tomateiros. Além ainda, arrancou batatas e cenouras e amputou os brotos de uva. E todo o restante das ervas de chá e até mesmo as de ornamento ele atorou na gadanha e na enxada, até virar tudo uma coisa só. Depois ateou fogo naquilo e sentou-se quase ao lado, até deixar-se incendiar ele mesmo junto às plantações que cavou sem a ajuda de ninguém num campinho emprestado por um compadre que um dia, de raiva das belezas que ele tinha, disse sem mais nem menos que ele lhe devia.

Devia o quê? Devia gratidão (mas ele tinha), devia a parte de comer do homem e seus filhos (que ele dava), devia ser menos avaro (ele não era), devia dever alguma coisa porque o outro embestou que ele devia.

Depois de tanto tempo de amizade, como um vizinho podia pensar isso do outro? Logo em Santa Bárbara, lugar que nem os passarinhos disputavam a água dos empoçados?

O seu Venâncio entristeceu-se. Murchou por dentro e lhe parecia loucura o viço das plantas se o seu único valor verdadeiro fora empenhado nas dúvidas descabidas do amigo. Achou que não era bem a discrepância do seu espírito e dos seus cultivados. Numa loucura, decidiu acabar com tudo, com a razão do desarrazoado sofrimento. Assim voltaria a ter o respeito dos outros e o seu amor próprio, mesmo zerado, poderia voltar a cultivar outra vez.

Mas o que parece ter acontecido foi ele ter visto o amigo observando-o de longe, quieto, impassível como um tronco de angico. Ele pegando fogo e o homem no seu pitar. Da visão não arredou mais pé e até aproximou-se mais, com as roupas chamuscadas incendiando a pele e ele duro, sem dar um grito, foi pouco a pouco consumindo-se no fogaréu.

Quem me contou? Não a mãe, que ela nunca me diria o que foi da morte do meu pai Venâncio, essa desgraça. Eu descobri sozinho. Juntei cacos de história de um e de outro até entender tudo.

Depois o compadre também endoideceu. Matar a fonte do seu sustento? Ele, um sem vontade de nada? Um descansado? Dois dias depois, sem saber o que fazer para cuidar do que não suportava ver o outro fazer tão bem, enfiou um cartucho contra o peito escondido num mato. Seu filho é o João Benedito, que quase foi meu colega, mas era maior que eu. Estudou tudo que pode e logo se sumiu daqui. A mãe ficou sozinha na casa, sem outro destino.

Às vezes, vez por semana, eu vou até lá levar tomates, pães e ovos que a minha mãe envia à viúva. Parece que nunca se falaram mais depois daquela estultice, mas ajudam-se como podem. Não é muito eu levar as coisas lá, mas, às vezes, sento um pouco onde o pai morreu e sozinho penso sempre que teria dado pra apagar o fogo..

Quando foi que fiquei sabendo? Não sei dizer, mas acho que desde ali entendi como se mantinha a mesma cara por fora e envelhecia por dentro.

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Sibylle Baier (1945) é uma atriz e cantora folk alemã. Seu disco Colour Green, de 2006, reúne canções que ela gravou nos anos 70 e só veio a público por insistência do seu filho, tornando-se quase imediatamente objeto de culto.

Eu perdi algo nos montes

Nos últimos tempos
Eu sempre choro
Quando passo pelos montes

Oh, o que as imagens me trazem
Oh, eu espero tanto
Pelas raízes da floresta
A origem das minhas brutalidades

Eu perdi algo nos montes
Eu perdi algo..

Outros crescem nas cidades
Eu cresci nesses montes
Onde primeiro o amor e a alma surgem
Lá vão os tempos da minha vida
Quando me sentia doida, desvairada
E somente a campina me trazia esperança

Quando minha perna passar da grama alta, eu morrerei
Eu vou morrer sob o jasmineiro –
Sob a árvore mais velha –
Então eu não preciso estar preparada

Eu vou morrer sob o jasmineiro
E sob uma velha árvore
Eu não preciso me preparar para um novo dia
Onde vou preencher a profundidade do que sinto?

Você vai dizer que eu não sou o pisco da floresta
Mas como eu poderia não deixar sinais
De que perdi algo nos montes?

Eu perdi alguma coisa nos montes
Oh, eu perdi algo nas montes..

Agora eu me inclino no peitoril da janela
E eu choro, embora seja bobagem
E eu estou sonhando completamente..

Oh eu sei, mais a oeste existem estas montanhas
Marcadas por macieiras, sulcadas pela corredeira
Isso me leva aonde eu quiser

Bem, eu perdi algo nos montes
Eu perdi algo nos montes.
Oh, eu perdi algo..

I Lost Something in the Hills

Everytime I shed tears
In the last past years
When I pass through the hills

Oh, what images return
Oh, I yearn
For the roots of the woods
That origin of all my strong and strange moods

I lost something in the hills
I lost something in the hills

I grew up in declivities
Others grow up in cities
Where first love and soul takes rise

There were times in my life
When I felt mad and deprived
And only the slopes gave me hope

When I pass through the leg high grass, I shall die
Under the jasmine, I shall die
In the elder tree
I need not try to prepare for a new coming day
Where is it that fills the deepness I feel?

You will say I’m not Robin the Hood
But how could I hide from top to foot

That I lost something in the hills
I lost something in the hills
Oh, I lost something in the hills

Now I lean on my windowsill
And I cry, though it’s silly
And I’m dreaming of off and away

Oh, I know farther west, these hills exist
Marked by apple trees
Marked by a straight brook
That leads me wherever I want it to

Well I lost something in the hills
I lost something in the hills

Oh, I lost something in the hills


Esqueça isso

Você me fez esquecer
De ter, querer, exercer

Eu de repente me sinto orgulhosa
Por ficar sem dizer nada

Você me fez esquecer
Passado e dor

E o tempo você lavou
Como uma chuva repentina de verão

Você me fez bem,
Me fez tão bem
Que me fez esquecer

Você me fez esquecer
De ter, de querer, de exercer

E de repente eu descobri
Como é lindo o jeito que você veste sua camisa

Você me fez tão bem…
Você me fez esquecer

Forget about

You made me forget about
Have, want, exert
And all of a sudden, I feel proud
Of being, without saying a word

You made me forget about
Past and pain
Time, you washed out
Like a soft, sudden, summer rain

You do me good
You do me
So good, you made me forget about

You made me forget about
Have, want and exert
And all of a sudden, I found out
Oh, it’s beautiful, the way you wear your shirt
You do me good, you made me forget about


O fim

É o fim, amigo meu
É o fim

Foi-se o tempo quando poderíamos simplesmente dizer eu te amo
Agora você abriu a porta
E me deixou chorando
Tentando te abraçar de novo
Buscando enfrentar essa maldita situação, cara
Mas eu não posso
É o fim, amigo meu
É o fim

Querido amigo, eu não sei dizer porque começamos bem
Bons tempos, mas me dê um pouco de vinho quando abrir a porta
Você parece magoado, não tente falar nada
O que neste mundo poderia mesmo dar errado entre nós?
No entanto, é o fim, meu amigo
É o fim, doce amigo meu
Parece que acabou o tempo quando poderíamos simplesmente dizer eu te amo

Agora você abriu a porta
E eu sinto frio
Acordada, tenho você em meus braços
Eu disse que a vida é curta, mas o amor antigo
É o fim, amigo meu
É o fim, doce amigo

The end

It’s the end, friend of mine
It’s the end, friend of mine

time is over where we could simply say I love you
Now you opened the door
Leave me crying
Trying to embrace you again
Trying to face this damn situation man
I can’t
It’s the end, friend of mine
It’s the end, sweet friend of mine

dear friend, I cannot tell the reasons why we started well
Good time, give me some wine when you open the door
You seem hurt, don’t try to speak a word to me
What on earth could really go wrong with you and me?
Yet its the end, friend of mine
It’s the end, sweet friend of mine

time seems to be over where we could simply say I love you
Now you opened the door
I feel cold
Wakened, I hold you in my arms
Told you that life is short but love is old
It’s the end, friend of mine
It’s the end, sweet friend