John Cowan Hartford (1937–2001) foi um bandolinista, guitarrista acústico, violinista, banjoísta, dançarino, piloto de rebocador e barco fluvial a vapor, compositor e cantor folk e country americano conhecido por suas letras espirituosas, estilo vocal único e extenso conhecimento da tradição do rio Mississippi.
Num arranha-céu
Um dia desses, quando eu for um homem E outros me ensinarem Tudo o que eles puderem Me venderão um terno E cortarão meu cabelo E me enviarão a trabalhar num arranha-céu
Isto significa dar adeus ao sol E adeus ao orvalho Adeus às flores E adeus a você – Eu estou indo para o metrô Não devo me atrasar E ir ao trabalho num destes arranha-céus
Mas quando eu me aposentar E minha vida voltar a ser minha E eu não dever mais nada a ninguém Será hora de ir para casa Eu me pergunto o que houve Nem uma coisa e nem outra Quando fui trabalhar nos arranha-céus
E é adeus ao sol Adeus ao orvalho Adeus às flores E adeus a você Eu estou indo para o metrô Eu não devo me atrasar Para estar no arranha-céu
In tall buildings
Someday, my baby, when I am a man And others have taught me the best that they can They’ll sell me a suit then cut off my hair And send me to work in tall buildings
So it’s goodbye to the sunshine Goodbye to the dew Goodbye to the flowers And goodbye to you I’m off to the subway I must not be late I’m going to work in tall buildings
Oh when I retire My life is my own I made all the payments It’s time to go home And wonder what happened Betwixt and between When I went to work in tall buildings
So it’s goodbye to the sunshine Goodbye to the dew Goodbye to the flowers And goodbye to you I’m off to the subway I must not be late Going to work in tall buildings
So it’s goodbye to the sunshine Goodbye to the dew Goodbye to the flowers And goodbye to you I’m off to the subway I must not be late I’m going to work in tall buildings
Seu Venâncio dos Angicos não era louco, mas um dia endoideceu.
Primeiro ele salgou os canteiros de folhosas. Depois, decepou um a um os tomateiros. Além ainda, arrancou batatas e cenouras e amputou os brotos de uva. E todo o restante das ervas de chá e até mesmo as de ornamento ele atorou na gadanha e na enxada, até virar tudo uma coisa só. Depois ateou fogo naquilo e sentou-se quase ao lado, até deixar-se incendiar ele mesmo junto às plantações que cavou sem a ajuda de ninguém num campinho emprestado por um compadre que um dia, de raiva das belezas que ele tinha, disse sem mais nem menos que ele lhe devia.
Devia o quê? Devia gratidão (mas ele tinha), devia a parte de comer do homem e seus filhos (que ele dava), devia ser menos avaro (ele não era), devia dever alguma coisa porque o outro embestou que ele devia.
Depois de tanto tempo de amizade, como um vizinho podia pensar isso do outro? Logo em Santa Bárbara, lugar que nem os passarinhos disputavam a água dos empoçados?
O seu Venâncio entristeceu-se. Murchou por dentro e lhe parecia loucura o viço das plantas se o seu único valor verdadeiro fora empenhado nas dúvidas descabidas do amigo. Achou que não era bem a discrepância do seu espírito e dos seus cultivados. Numa loucura, decidiu acabar com tudo, com a razão do desarrazoado sofrimento. Assim voltaria a ter o respeito dos outros e o seu amor próprio, mesmo zerado, poderia voltar a cultivar outra vez.
Mas o que parece ter acontecido foi ele ter visto o amigo observando-o de longe, quieto, impassível como um tronco de angico. Ele pegando fogo e o homem no seu pitar. Da visão não arredou mais pé e até aproximou-se mais, com as roupas chamuscadas incendiando a pele e ele duro, sem dar um grito, foi pouco a pouco consumindo-se no fogaréu.
Quem me contou? Não a mãe, que ela nunca me diria o que foi da morte do meu pai Venâncio, essa desgraça. Eu descobri sozinho. Juntei cacos de história de um e de outro até entender tudo.
Depois o compadre também endoideceu. Matar a fonte do seu sustento? Ele, um sem vontade de nada? Um descansado? Dois dias depois, sem saber o que fazer para cuidar do que não suportava ver o outro fazer tão bem, enfiou um cartucho contra o peito escondido num mato. Seu filho é o João Benedito, que quase foi meu colega, mas era maior que eu. Estudou tudo que pode e logo se sumiu daqui. A mãe ficou sozinha na casa, sem outro destino.
Às vezes, vez por semana, eu vou até lá levar tomates, pães e ovos que a minha mãe envia à viúva. Parece que nunca se falaram mais depois daquela estultice, mas ajudam-se como podem. Não é muito eu levar as coisas lá, mas, às vezes, sento um pouco onde o pai morreu e sozinho penso sempre que teria dado pra apagar o fogo..
Quando foi que fiquei sabendo? Não sei dizer, mas acho que desde ali entendi como se mantinha a mesma cara por fora e envelhecia por dentro.
Sibylle Baier (1945) é uma atriz e cantora folk alemã. Seu disco Colour Green, de 2006, reúne canções que ela gravou nos anos 70 e só veio a público por insistência do seu filho, tornando-se quase imediatamente objeto de culto.
Eu perdi algo nos montes
Nos últimos tempos Eu sempre choro Quando passo pelos montes
Oh, o que as imagens me trazem Oh, eu espero tanto Pelas raízes da floresta A origem das minhas brutalidades
Eu perdi algo nos montes Eu perdi algo..
Outros crescem nas cidades Eu cresci nesses montes Onde primeiro o amor e a alma surgem Lá vão os tempos da minha vida Quando me sentia doida, desvairada E somente a campina me trazia esperança
Quando minha perna passar da grama alta, eu morrerei Eu vou morrer sob o jasmineiro – Sob a árvore mais velha – Então eu não preciso estar preparada
Eu vou morrer sob o jasmineiro E sob uma velha árvore Eu não preciso me preparar para um novo dia Onde vou preencher a profundidade do que sinto?
Você vai dizer que eu não sou o pisco da floresta Mas como eu poderia não deixar sinais De que perdi algo nos montes?
Eu perdi alguma coisa nos montes Oh, eu perdi algo nas montes..
Agora eu me inclino no peitoril da janela E eu choro, embora seja bobagem E eu estou sonhando completamente..
Oh eu sei, mais a oeste existem estas montanhas Marcadas por macieiras, sulcadas pela corredeira Isso me leva aonde eu quiser
Bem, eu perdi algo nos montes Eu perdi algo nos montes. Oh, eu perdi algo..
I Lost Something in the Hills
Everytime I shed tears In the last past years When I pass through the hills
Oh, what images return Oh, I yearn For the roots of the woods That origin of all my strong and strange moods
I lost something in the hills I lost something in the hills
I grew up in declivities Others grow up in cities Where first love and soul takes rise
There were times in my life When I felt mad and deprived And only the slopes gave me hope
When I pass through the leg high grass, I shall die Under the jasmine, I shall die In the elder tree I need not try to prepare for a new coming day Where is it that fills the deepness I feel?
You will say I’m not Robin the Hood But how could I hide from top to foot
That I lost something in the hills I lost something in the hills Oh, I lost something in the hills
Now I lean on my windowsill And I cry, though it’s silly And I’m dreaming of off and away
Oh, I know farther west, these hills exist Marked by apple trees Marked by a straight brook That leads me wherever I want it to
Well I lost something in the hills I lost something in the hills
Oh, I lost something in the hills
Esqueça isso
Você me fez esquecer De ter, querer, exercer
Eu de repente me sinto orgulhosa Por ficar sem dizer nada
Você me fez esquecer Passado e dor
E o tempo você lavou Como uma chuva repentina de verão
Você me fez bem, Me fez tão bem Que me fez esquecer
Você me fez esquecer De ter, de querer, de exercer
E de repente eu descobri Como é lindo o jeito que você veste sua camisa
Você me fez tão bem… Você me fez esquecer
Forget about
You made me forget about Have, want, exert And all of a sudden, I feel proud Of being, without saying a word
You made me forget about Past and pain Time, you washed out Like a soft, sudden, summer rain
You do me good You do me So good, you made me forget about
You made me forget about Have, want and exert And all of a sudden, I found out Oh, it’s beautiful, the way you wear your shirt You do me good, you made me forget about
O fim
É o fim, amigo meu É o fim
Foi-se o tempo quando poderíamos simplesmente dizer eu te amo Agora você abriu a porta E me deixou chorando Tentando te abraçar de novo Buscando enfrentar essa maldita situação, cara Mas eu não posso É o fim, amigo meu É o fim
Querido amigo, eu não sei dizer porque começamos bem Bons tempos, mas me dê um pouco de vinho quando abrir a porta Você parece magoado, não tente falar nada O que neste mundo poderia mesmo dar errado entre nós? No entanto, é o fim, meu amigo É o fim, doce amigo meu Parece que acabou o tempo quando poderíamos simplesmente dizer eu te amo
Agora você abriu a porta E eu sinto frio Acordada, tenho você em meus braços Eu disse que a vida é curta, mas o amor antigo É o fim, amigo meu É o fim, doce amigo
The end
It’s the end, friend of mine It’s the end, friend of mine
time is over where we could simply say I love you Now you opened the door Leave me crying Trying to embrace you again Trying to face this damn situation man I can’t It’s the end, friend of mine It’s the end, sweet friend of mine
dear friend, I cannot tell the reasons why we started well Good time, give me some wine when you open the door You seem hurt, don’t try to speak a word to me What on earth could really go wrong with you and me? Yet its the end, friend of mine It’s the end, sweet friend of mine
time seems to be over where we could simply say I love you Now you opened the door I feel cold Wakened, I hold you in my arms Told you that life is short but love is old It’s the end, friend of mine It’s the end, sweet friend