Porto Alegre, 7

Todos os dias
aconteces cedo,
quando a primeira luz
ainda não ligou
teu autorama atropelado
que as sirenes da noite
por alguma razão
que eu não entendo
em algum a hora da noite
silenciaram.

Esse despertador que ofereces,
este sabiá desorientado,
acorda também
certo rumor intestino teu.
Ele me alcança os ouvidos
com sotaques que não manténs
e do eco desses
animais alucinantes
e de gente que também
é fantástica demais
para que pareçam reais
(mesmo à memória,
que aceita tudo)
e assim me sobrescreves
todos os dias.

Um dia desses
precisamos entrar
em acordo com isso
e justamente,
mas então como ficariam
as coisas que não se acomodaram
perfeitamente em ti?
E como é que ficariam
aqueles que te armazenaram
como o cenário de vidas
delicadamente pouco importantes?
Tu não farias nada?

Quanto agressiva tu sabes ser, cidade
nada imperfeita e nem torta
e que, sobe lomba e desce lomba,
esconde-se num espelho brônzeo
e se magnetiza?

Mas ao menos uma coisa é certa:
tu és imparcialmente boa e ruim
e, às vezes, podemos imaginar
a vida noutro lugar
enquanto fertilizas
em nós coisas estranhas como
músicas, filmes, saudades, poemas…

Por que escrever?, de Philip Roth

A rigor, é desde a publicação de Nêmesis (Companhia das Letras, 2011) que os leitores brasileiros deixaram de contar com textos inéditos de Philip Roth por aqui. E como parece mesmo que o escritor falecido em 2018 foi definitivo em sua aposentadoria anunciada em 2012 e não deixou nenhuma novela ou romance para publicação póstuma, nos últimos tempos restou apenas aos seus leitores e devotos matar amargamente as saudades do autor por meio das notícias envolvendo o polêmico cancelamento da biografia de Blake Bailey, Philip Roth: The Biography (Skyhorse, 2021), a única entre as disponíveis que efetivamente contou com sua colaboração direta. Na prática, restaram efetivamente apenas as notícias: a tradução do livro em si continua suspensa pela Companhia das Letras, editora brasileira interessada na sua publicação antes da polêmica exposição envolvendo Bailey, acusado no começo de 2021 por diversos crimes sexuais.

Agora, a mesma Companhia das Letras oferece ao público brasileiro uma edição retrospectiva compilando dezenas de ensaios e entrevistas de Roth a respeito de literatura e de seu ofício de escritor. Trata-se de um volumoso livro (568 páginas) intitulado Por que escrever?: Conversas e ensaios sobre literatura (1960-2013). Talvez antecipando a retomada da aguardada tradução, garante-se dessa forma que a editora ao menos ocupará os interessados em Roth com uma boa dose de textos de sua autoria até então inéditos em português. Isso não terá ocorrido sem críticas duras ao gesto de suspensão anterior, pois, afinal, as questões apresentadas referiam-se ao biógrafo de Roth e não a ele mesmo. Enquanto prossegue o embaraço, não custa lembrar que Bailey acabou encontrando nova casa para publicar seu livro nos Estados Unidos e a Dom Quixote, de Portugal, promete lançar sua tradução ainda no primeiro semestre deste ano.

No que importa, o livro que agora chega às livrarias é oportunidade para aqueles mais interessados na literatura de Roth do que nos bastidores da sua intimidade completarem finalmente a sua coleção em língua portuguesa. Com a edição, obtém-se o bônus de enfim desviar a atenção de situações alheias ao escritor que, incompreensivelmente, no último ano tornaram-se mais importantes que a repercussão do seu trabalho autoral. Nesse aspecto, Por que escrever?: Conversas e ensaios sobre literatura não poderia ser mais lapidar.

Desde o ensaio de abertura em que Roth contempla o retrato de Kafka para daí imaginar um destino mais longevo para o escritor tcheco, passando por comentários a respeito de escritores seus contemporâneos, como Philp Guston e Saul Bellow e transcrições de suas conversas com Primo Levi, Isaac Bashevis Singer e Milan Kundera, entre outros, até o capítulo final de “explicações” no qual responde sobre o próprio trabalho, vê-se um Roth que se propunha a oferecer um legado crítico tão relevante quanto sua obra ficcional. E o melhor de tudo: numa ensaística na qual se reconhece imediatamente os traços de sua inteligência e humor. Veja-se, por exemplo, o ensaio como no qual ele enfrenta a Wikipedia a fim de corrigir uma entrada a respeito de A marca humana (Companhia das Letras, 2002) e a enciclopédia não assimila imediatamente a sua observação, exigindo-lhe uma “fonte confiável”. Roth não se dá por vencido e publica a devolutiva na The New Yorker. No livro, o ensaio aparece completo, sem as supressões da revista.

Parte considerável do livro compõe-se também por discursos em premiações recebidas, entrevistas e ensaios que já haviam sido publicados anteriormente em Shop Talk (Mariner Books, 2001), mas a compilação apresenta ainda textos inéditos em relação à edição norte-americana, de 2017. As entrevistas são na realidade homenagens que ele faz a escritores com quem travou relação e enfrentavam dificuldades em seus países de origem, principalmente aqueles provenientes do leste europeu, como Milan Kundera e Ivan Klíma. Os ensaios a respeito de sua própria obra, todavia, tornam o livro mais apetecível para seus leitores habituais.  Para estes, servem como um anexo indispensável o seu ensaio de aniversário de 45 anos de O complexo de Portnoy (Companhia das Letras, 2004) e o discurso sugestivamente intitulado A impiedosa intimidade da ficção, pronunciado nas comemorações dos seus oitenta anos, em 2013, no Museu de Newark. Em síntese, é praticamente um livro de referência que fixa o legado a seu respeito com seus próprios textos.

Por falar em “legado”, inobstante as “ameaças” literárias que sua obra vem sofrendo recentemente em razão de alegada misoginia e sexismo, mais ou menos no mesmo revés de Bailey, críticos, estudiosos e até amigos de Roth passaram a considerar que seu espólio deveria manter-se disponível para que outros biógrafos nele se debruçassem e dessa forma pudessem até mesmo oferecer novas versões de sua biografia. Ao que parece, junto às caixas de correspondência e demais notas, Roth teria entregado a Bailey pelo menos dois manuscritos inéditos justamente contestando o livro de memórias de Claire Bloom, Leaving a Doll’s House: A Memoir (Little Brown and Co, 1998), atriz com quem viveu por cerca de 14 anos. O temor é que esses manuscritos e os documentos que pudessem consistir em novo apanhado ou publicação recebam a destinação que em vida Roth solicitou aos encarregados do seu espólio: a completa destruição. Por ora, trata-se de um drama sem desfecho.

Quando ainda vivia, Roth havia destinado à biblioteca pública de Newark uma coleção de 7.000 livros anotados, fotografias e documentos pessoais organizados por ele mesmo e algo em torno de 1/5 do seu patrimônio financeiro (cerca de 2 milhões de dólares) para que a biblioteca se reequipasse. Parece que ao aposentar-se com a publicação de Nêmesis, Roth dedicou-se a organizar a eternização de sua memória e seu legado, o que inclui o seu acerto com Bailey. Por meio de sua biblioteca pessoal é possível conhecer suas anotações em Dostoievsky, Colette e Machado de Assis, entre outros. Provavelmente é desse espólio que resultam os ensaios, discursos e apresentação da presente edição de Por que escrever?: Conversas e ensaios sobre literatura (1960-2013).

Daí pode-se presumir, portanto, que a curiosidade literária acerca de Roth será plenamente aplacada com a edição. É claro que isso se confirmaria apenas caso o interesse vulgar na pessoa, fofocas e informações desencontradas preenchessem menos o interesse das pessoas que propriamente sua obra e vida literária. Quanto a isso, é bem provável que Roth soubesse bem que seria algo impossível de deter, narrar ou conduzir com exclusividade. Certamente não a ponto de prever que sua memória fosse embargada por razões esdrúxulas, mas porque seus confrontos com o moralismo fatalmente se chocariam com a contemporânea tara social do cancelamento. Para estes leitores, Por que escrever?: Conversas e ensaios sobre literatura (1960-2013) é excelente oportunidade de conhecer de Roth mais no que ele é interessante, um autor fundamental de sua época histórica e com um talento incomum para narrar. Para os que não morrerão de um pasmo ao saber dos incidentes pessoais da vida do autor, espera-se que a biografia saia de uma vez por todas e suspenda-se a onda de exorcismos pelo menos no que se trata de um monstro literário como ele. Não é algo certo de se esperar, mas nunca custa muito o apelo ao bom senso e à razão.

¡𝗤𝘂𝗲́ 𝘀𝗲́ 𝘆𝗼!

Havia muito que andava e as alpargatas endurecidas agrediam tanto a sola dos pés que até o pastiçal tapado de rosetas e caraguatás parecia mais suave. Logo de cruzar um banhado no qual as tachãs dormiam em silêncio, no entanto, um relvado compareceu à planura. Algo parecia indicar que teria com o que e onde abrigar-me um tanto e logo um capão perdido no horizonte, sob o crepúsculo, parecia ser um adequado lugar onde acampar. Lenha e gravetos não faltariam para que acendesse o fogo, aquentasse um tanto de água e matasse a sede com a yerba seca e guardada na mala de garupa. Também tostaria um pedacito de charque e teria com o que virar-me, pelo menos nessa noite.

La Paraguaya – Juan Manuel Blanes

Não entendo como um mero arvoredo poderia parecer tão acolhedor, mas o fato é que, ao aproximar-me, notei que algo se movia por detrás dos troncos das árvores. Algo que se ocultava, pulava de árvore em árvore e que me observava e que tinha nas mãos uma faquinha curta, de carregar na bota. O vulto esbelto e os cabelos amarrados por uma vincha não me permitiam saber se era um homem ou mulher, mas quase certamente era alguém jovem, se não, não teria aquela delicadeza de gestos.

Ao setentrião, notei um pequeno acampamento. No mais, um montinho de coisas poucas tapadas por um poncho de lã. O que teria ali? Algo de valor? Algo furtado de um galpão ou recolhido de tapera? ¡Qué sé yo! Mas a criatura dava voltas naquele monturo e parecia que me atacaria de verdade se me aproximasse. E, dado o meu cansaço, me estrebucharia em dois tempos porque era ligeira como um lagarto. E tinha olhos de lagarto também, estranhamente pacatos, como de quem não fosse me matar caso eu a deixasse ali, solita, monarca daquele minúsculo reino. Porém a fome me atacava também e decidi ocupar o extremo sul do capão de mato e sentar-me sob sua observação, de mãos nuas, e comecei lentamente a recolher ramagens e folhas do chão com que pudesse causar um pequeno incêndio que me permitisse levar a efeito o que pretendia para aquela noite que começava a pintar no céu límpido de abril.

Sempre em pé, o cuera (ou a cuera) me observava e entendi que era mesmo uma mulher. Tinha algo nos seus gestos que eram fêmeos e, desarmada, não podia ser mesmo soldado egresso, desertor ou mero bandido, se não me houvera matado já. Mas por que diabos ainda não o fizera?

Com meu isqueiro de pedra, o fogo nasceu ligeiro. Num zás. Logo ajeitei a cambona com a água de uma vasilha de rosca e tomei da cuia tropeira e da erva surrada, virada e ressecada. Que importa? Estava louco num mate… No preparo das coisas, vi que ela sentara-se próxima ao seu cocuruto, mas mantinha-me no seu raio de atenção. Não exatamente de frente, mas de modo que num soslaio fiscalizasse meus movimentos. Mas eu não me movia. Observávamo-nos a uma distância hábil ao mesmo tempo de um ataque ou de uma fuga… Vinha do Paraguai, como eu? A Matilda? ¡Qué sé yo!

No terceiro mate enchido, acho que por costume, ergui-lhe a cuia no gesto automático da oferta e vi, então, que ela havia guardado a faquita. Sob o chiripá em frangalhos, em algum lugar ali, desarmou-se. Lentamente, ergueu-se meio que sem caminhar, meio arrastando-se ainda, e veio para junto do fogo. Foi quando pude ver-lhe pela primeira vez a face por completo, imberbe e com um talho cicatrizando ainda, marca feita por mão de gente. Pensei no que lhe dizer e nada me ocorria. Quando me devolveu a cuia, depois de roncar, olhou-me bem dentro nos olhos e parecia querer distinguir algo, talvez o risco que eu representava, que sé yo

Em seguida, afastou-se de volta para as suas coisas, esticou o poncho por cima de si mesma e lá ficou.

De onde eu vinha, a mortandade de guaranis me acostumara à barbaridade da morte, mas, ainda assim, pensei que poderia, se ela permitisse, juntar-me a ela no seu desterro. Dali, iríamos a algum lugar. Qualquer lugar… Que diferença faz? E pensei que, jovem, poderia me dar filhos e eu suportaria o fim dos meus hábitos antigos e me aquietaria consigo num rancho de torrão, faria changas por aí, me aplicaria a aprender um ofício qualquer. Alambrador, carneador, domador… Há tantos. E teríamos o justo: uma vaquita de leite, um tostado para as viagens e um perro para proteger nossa casa. Naquele devaneio, adormeci…

Cedo os barreiros descortinaram o dia, como eles sempre fazem. O primeiro que fiz ao abrir os olhos foi investigar seu paradeiro. Lembrei-me que, absurdo, nem seu nome havia perguntado na noite anterior. Minha educação havia sido perdida nalguma pelea, por certo. A voz também. Mas ela não estava mais lá e nada de encontrá-la, onde quer que eu procurasse. Revirei todo o matinho, atrás de cada árvore e palmilhei o chão em busca de seu rastro. Não pude encontrar. Sem dúvida, andava igual a mim, de pés descalços e o chão, numa benesse da sua natureza, alivia as marcas de quem anda assim. Para onde foi a criatura de olhos negros? ¡Qué sé yo!

Sem nada mais o que fazer ali, pensei que o caminho do nascente me levaria à fronteira, ao povo de Santana, que há de ter um refresco, pouso ou serviço… Para alguém como eu, é a glória possível de sobreviver à guerra. Tomei daquele caminho enquanto mordia o resto do charque duro da noite anterior que havia restado.

No caminho, eu sabia que havia uma sanga forte, um arroio que deveria cruzar. Logo eu o enfrentaria e, de a pé, teria de contar com muita precaução. E enquanto aos poucos me aproximava do passo, notei na margem anterior um vulto acocorado ao chão. De imediato, entendi de quem se tratava. Mas o que fazia ali? Bem, logo me aproximaria o suficiente para entender a situação e, antes que me desse com a cena, finalmente compreendi o que fazia.

Com uma cova aberta com as mãos junto a um barranco, ela depositara ali dentro o que havia mantido sob o poncho. O corpinho de um pagão ou pagã que não sobrevivera. Como ela havia tapado todo o corpo da criança, não pude saber se menino ou menina. Che cuê..

E como ela não tinha forças (ou coragem) de terminar o serviço e olhava paralisada para dentro da sepultura improvisada, agachei-me e terminei a obra também de mãos nuas, enchendo de terra as unhas e de dor o coração…

Ao terminar, coragem me faltava para buscar seus olhos. Evadia-me para qualquer lugar e ela também. Olhamos o arroio passando e a seca havia sido tão grande que passávamos facilmente a pé onde antes nos afogaríamos. Da outra margem, paramos e arrumamos as roupas. Rapidamente nossos olhos cruzaram-se, mas ela os evitou, é claro que numa situação daquelas nada queria comigo. De pronto, tomou de outra direção da que eu planejava para mim mesmo. De pronto, eu também. E fui seguido seus passos, sem ainda termos dito uma palavra e ainda sem sabermos os nossos nomes e nacionalidades. A campanha do Paraguai terminara. O que seria de dois guachos como nós daqui em diante?

¡Qué sé yo…!

A outra face, de Armando Moura Filho

Foi bem por essa época, há uns dois anos, que recebi pelo correio os originais de um poeta que aos 75 anos de idade havia começado a escrever e publicar esparsamente nas redes. O nome do incauto? Armando Moura Filho.

O pacote continha uma matéria bruta de quem obviamente havia andado a escrever sem se preocupar com o amanhã. E eu acho que exatamente isso me encantou na tarefa de ajudá-lo a organizar do “pacote” um volume, um livro: este “A outra face” que agora nasce pelas mãos do Roberto Prym e da Bestiário/Class.

Enquanto aguardo meu exemplar, fico aqui pensando que, no que diz respeito à poesia, é incrível que eu ainda não tenha nada muito certo em mente. Nem muito e nem nada: prefiro mesmo não ter. Acredito realmente que cada pessoa constitui uma trajetória a despeito das influências, leituras, grupos, amizades… E também que é preciso não saber muito bem o que se está fazendo como regra e também o que estão fazendo o vizinho, o parente, o amigo e assim por diante.

Não é que eu desconheça ótimas obras planejadas ou outras excelentes arquitetadas mental e formalmente, mas esse não é o meu ponto: o que eu quero dizer é que o/a poeta às vezes melhor se sairá se não estiver certo nem de sua predestinação e nem estiver cioso da sua qualidade.

Quanto à qualidade, as razões são óbvias: a autoindulgência costuma ser traiçoeira e comprometedora. Já a vaidade excessiva dificilmente não soa grotesca. Nesse raciocínio, chego a ser meio extremista, é preciso duvidar, sim, até o último ponto e, mesmo depois de impresso e publicado, continuar insatisfeito. Pode não ser essa uma receita de sucesso, mas seguramente é de honestidade. Neste caso, honestidade para consigo mesmo. Isso posso garantir que não falta ao Armando.

Às vezes, vejo por aqui poetas que anunciam “amar” seu poemas ou dizendo de um ou outro dentre a própria criação os seus “prediletos”. É um comportamento que me parece estranhíssimo. Não é que para mim um artista não possa estabelecer um vínculo estético-afetivo com a própria obra, porém isso cria um impasse na apreciação que é terrível. Ou seria viável esperar por uma apreciação que, mediante essa negociação, ocorresse com a liberdade necessária e não parecesse afronta pessoal?

Do Armando eu posso garantir isso: a falta de afetação e a busca sincera por uma poética consequente com sua vida, suas perdas e interesses e dúvidas.

Desde a primeira vez que li a montanha de folhas soltas, me passou que daria um livro com uma intensa vitalidade. Ali estão os mundos de um homem solitário e solidário, o mundo movediço e noturno dos advogados, o das narrativas mais prosaicas que filosóficas e de quem se entrega menos facilmente ao devaneio que às intrigas. Intrigante, não é? E é mesmo.

O nome do livro mudou, caro Armando, mas para mim continuará a ser “Old Parr” (o cavalo e o uísque). Acompanhado por um “18 anos” e um long play do Sinatra, é livro de se aproveitar cada página.

Cheers!

A porta aberta

Entrarei em sua casa sem
nunca ter lido os seus livros.

E tomo da asa no escuro
(não a sã, mas a ferida),

depois entrego
meu sangue, e sou tragado

em silêncio
até perder outra vida.

Ficarei se for cedo,
concordo, mas,

no escuro, a porta aberta
também me indica a saída.